quinta-feira, 8 de março de 2012

Evolução do automóvel

ONDE TUDO COMEÇOU...

Quando o assunto é história, temos de obedecer a uma cronologia. E se existe uma cronologia na História do Automóvel, esta deve ter início em 1700 quando Nicholas Cugnot convenceu o Rei de França a financiar seu projeto de um veículo pesando quase 10 toneladas, para arrastar peças da artilharia de então.
O veículo se locomovia a 10 Km. por hora mas Nicholas, na sua viagem inaugural, descobriu que não pensara sobre como parar seu "monstrengo". Assim ocorreu o primeiro acidente automobilístico que se tem notícia já que o pesado Cugnot derrubou um muro. Por esse motivo, Nicholas foi afastado da corte e morreu na miséria porém, sua invenção estava atrelada à vida da França e do resto do mundo! ET. O veículo de Cugnot era movido por uma caldeira a vapor e está preservado até hoje.
Daquele primeiro "rascunho", muitos outros projetos se seguiram mas, em sua maioria, sem maiores expressões. Vento, pedais, vapor, tudo podia servir para desenvolver as máquinas de então mas o tempo ia passando e nada de mais concreto surgia. Já estamos no ano de 1883, na Alemanha.
Gottlieb Daimler, filho de padeiros, está desenvolvendo seu motor a explosão, de altas rotações. Quase que simultaneamente, só que milhas de distância, em Mannheim, Carl Benz também trabalhava em algo muito parecido. Ambos tinham em comum o amor por máquinas e pequenas oficinas domésticas. Pois foi graças a estes dois alemães que em 1.886, o mundo mudaria para sempre. Daimler fundara sua empresa em um subúrbio de Stuttgart (a Daimler Motoren Geselschaft) onde contava com um verdadeiro gênio a quem a história foi injusta - Wilhelm Maybach, seu engenheiro chefe. Carl, também em 1886, deixara sua invenção dentro do pequeno galpão de sua casa antes de dormir.
O primeiro motor Daimler de 1883
O primeiro motor Daimler de 1883
Era Natal e sua esposa, Clara, não pensou duas vezes para querer experimentar aquele estranho carro. Com seus dois filhos, deu início a uma viagem de pouco mais de vinte quilômetros até a casa de sua mãe. Vez por outra necessitava parar em uma farmácia para comprar álcool e fazer sua carruagem funcionar. Após quase 06 horas, finalmente pode comemorar o Natal com sua família menos, é claro, com seu assustado marido que deu por sua falta logo ao acordar. Mas ela provara que o triciclo feito de madeira e com um pequeno motor de um cilindro funcionava !
Já no início do século XXDaimler e Benz eram concorrentes cada qual com seu próprio produto. O símbolo escolhido por Carl era uma coroa de louros, marca da vitória. Já o de Daimler era uma estrela de três pontas uma vez que ele pretendia produzir motores para terra, ar e mar.
Os dois nunca trabalharam juntos já que Daimler faleceria anos antes da fusão (que garantiria a sobrevivência das duas empresas) ocorrida em 1926. Também não veria o nome que a filha de um de seus representantes, Emile Jellineck, emprestaria a seu produto -Mercedes.
O primeiro motor Benz de 1886
O primeiro motor Benz de 1886
Quando a fusão ocorreu, os símbolos de ambas as empresas - estrela de três pontas e coroa de louros - seriam unidos para sempre. Nas fábricas de Daimler e de Benz, passaram nomes que se tornariam ícones da indústria de automóveis. Alguns deles: Whilhelm Maybach, August Horch e Ferdinand Porsche. Para quem não sabe, Horch fundaria a AUTO UNION que depois se transformaria na AUDIFerdinand Porsche seria colaborador do nazismo ao projetar o motor do "carro do povo" - o VOLKSWAGEN. A marca PORSCHE surgiria pelas mãos de seu filho, Ferry Porsche. Já Maybach se uniria a um conde da época para projetar motores de dirigíveis.
Daimler + Benz = Mercedes-Benz
Daimler + Benz = Mercedes-Benz
Pensou em Zeppelin? Acertou! Carl Benz morreu em 1929, três anos após a fusão de sua empresa com a Daimler e vinte e nove anos após surgir, também na Daimler, o primeiro carro que levaria um nome que mudaria não só o rumo da história como também estaria associado à sua própria marca - MERCEDES BENZ.
Gotheb Daimler e Karl Benz
Gotheb Daimler e Karl Benz
Podemos dizer que o primeiro veículo autopropulsionado surgiu em 1769. Era um triciclo construído para fins militares, utilizando motor a vapor, e foi concebido pelo engenheiro francês Nicolas Joseph Cugnot (1725 - 1804). Foi construído no Arsenal de Paris pelo mecânico Brezin sob a orientação de Cugnot e foi usado pelo exército francês para puxar canhões a uma incrível velocidade  de 4 km/h! O veículo tinha de parar a cada 15 minutos para reabastecer o motor. Tanto o motor como o depósito da água eram separados do resto do veículo, ficando na sua parte dianteira. (veja figura acima). No ano seguinte (1770), Cugnot construiu um outro modelo de triciclo, capaz de transportar quatro pessoas.
Em 1771Cugnot chocou um de seus veículos contra um muro, e assim, além de criar o primeiro automóvel, se tornou também oprimeiro motorista a causar um acidente!


Trator de Artilharia de Nicolas Joseph Cugnot
Trator de Artilharia de Nicolas Joseph Cugnot
Trator de Artilharia de Nicolas Joseph Cugnot, considerado o primeiro veículo de autopropulsão construído pelo homem, por volta de1770.
Chegava a alcançar uma velocidade de 5 a 6 km/h e não possuía freios. Este veículo está em exposição no "Conservatoire des Arts et Métiers".
Veículo a vapor de Bordino
Veículo a vapor de Bordino
Veículo a vapor de Bordino, construído no Arsenal de Turim, em 1854. Consumia 30 kg de carvão por hora. O motor de 1 cilindro horizontal permitia uma velocidade e 8 km no plano.
O
O "Velo" primeiro veículo Benz
O "Velo" primeiro veículo Benz, patenteado em 1886. Tinha motor monocilíndrico horizontal de 980cc e desenvolvia 0,9 cv a 500 rpm. Pesava 230kg e sua velocidade máxima era de 15 km/h.


Peugeot 1892 vis-a-vis
Peugeot 1892 vis-a-vis
Peugeot 1892 vis-a-vis com motor de duplos cilindros de 1.056cc, potência de 8HP e velocidade máxima de 35km/h.
Peugeot 1892 vis-a-vis
Bernardi 1896.
Bernardi 1896. Este carro tinha motor de um cilindro, horizontal, com 624 cm3, capaz de desenvolver 4HP a 800 rpm, ignição com rede de platina, embreagem com cabo metálico em espiral, caixa de câmbio de 3 velocidades e transmissão com corrente. Bernardi construiu o primeiro carro italiano com motor a explosão em 1894.
Bersey Eletric Car de 1897
Bersey Eletric Car de 1897
Bersey Eletric Car de 1897, fabricado pela fábrica inglesa Bersey, era acionado por dois motores elétricos, com transmissão de corrente.
Opel 1898
Opel 1898
Opel 1898, 4 HP, motor de um cilindro refrigerado à água, transmissão por corrente, duas velocidades e marcha à ré, velocidade de 15 a 20 km/h.
Quadriciclo Perfecta de 189
Quadriciclo Perfecta de 1898
Quadriciclo Perfecta de 1898, construído pela fábrica francesa Chenard & Walcker
Fiat de 1899
Fiat de 1899
Fiat de 1899, com motor de 600cc, 3,5 HP, montado horizontalmente na traseira e era refrigerado a água. Ignição era por bateria e bobina. Tinha três velocidades. A transmissão era por uma corrente e diferencial, e tinha embreagem de couro.
Baker elétrico de 1899
Baker elétrico de 1899
Baker elétrico de 1899, um dos primeiros modelos da fábrica americana, conservado no Auto-Aviation Museum de Cleveland (Ohio).
Renault Coupe 1899
Renault Coupe 1899
Renault Coupe 1899, o primeiro carro do mundo totalmente fechado. Tinha motor "De Dion", refrigerado a água de 3 1/2HP.
Dog-Cart 1901
Dog-Cart 1901
Dog-Cart 1901, da fábrica escocesa Arrol-Johnston, com motor de dois cilindros e ignição com magneto e baixa tensão, 10 HP.
Mercedes 1901
Mercedes 1901
Mercedes 1901. O primeiro Mercedes. Motor de quatro cilindros em linha e 6 litros de capacidade, radiador em forma de colméia, ignição por magneto e 35HP.
Desta idéia nasceu a Cadillac Automobile Company
Desta idéia nasceu a Cadillac Automobile Company
Um carro com um motor projetado por Henry Leland, da Detroit Automobile Company. Desta idéia nasceu a Cadillac Automobile Company, que tomou o nome do explorador francês Antoine de la Mothe Cadillac, fundador de Detroit.
Ford modelo
Ford modelo "B" de 1904.
Buick modelo
Buick modelo "C" de 1905
Buick modelo "C" de 1905. Tinha motor plano de 2 cilindros, 22 HP, duas velocidades e marcha à ré.
Ford modelo
Ford modelo "C" de 1905
Ford modelo "C" de 1905, de dois ou quatro lugares. A parte traseira da carroceria é destacável ao longo da junção inclinada.
Cadillac 1906
Cadillac 1906
Cadillac 1906, um carro monocilíndrico do qual se construíram 16.126 unidades em seis anos.
Maxwell 1906
Maxwell 1906
Maxwell 1906. Seu fabricante produziu carros de 1903 a 1923. Posteriormente foi comprada por Walter P. Chrysler.
Vauxhall de 1906
Vauxhall de 1906
O chofer deste Vauxhall de 1906 tinha de sentar-se na parte de cima (e na traseira) do veículo, como faziam habitualmente os cocheiros das caleches
Ford modelo
Ford modelo "R" de 1907
Ford modelo "R" de 1907, versão luxuosa do modelo "N".
Rambler modelo
Rambler modelo "24" de 1907
Rambler modelo "24" de 1907
Carro de corrida Austin 1908
Carro de corrida Austin 1908
Carro de corrida Austin 1908. Tinha motor de 6 cilindros, 9,7 litros e 60HP.
Rolls Royce Silver Ghost 1909
Rolls Royce Silver Ghost 1909
Rolls Royce Silver Ghost 1909, com motor de 6 cilindros, 7.046 cc e 40-50HP.
Veículo Benz 1910
Veículo Benz 1910
Veículo Benz 1910, com motor dianteiro de quatro cilindros, veículo que se encontra no Museu de Caramulo em Portugal.
Isota Fraschini 1911, modelo B 28, de 35 HP
Isota Fraschini 1911, modelo B 28, de 35 HP
Isota Fraschini 1911, modelo B 28, de 35 HP, motor à frente, com quatro cilindros (dois de cada lado). Ignição por magneto de alta tensão. 30 HP a 1.000 rpm. Embreagem cônica de couro. Quatro velocidades para frente e ré. Transmissão por correntes. Peso 1.110kg.

Renault 1911
Renault 1911 de 14 HP e vários bancos.

O primeiro Chevrolet construído em 1912
O primeiro Chevrolet construído em 1912. Louis Chevrolet, um famoso piloto de corridas nos primeiros anos do século, foi convencido por W.C. Durant a idealizar um novo motor. Desta sociedade nasceu a Chevrolet.
Delahaye 1912
Delahaye 1912
Delahaye 1912. Este carro tinha 10-12HP, 1.593cc, quatro cilindros, magneto de alta tensão. Sua carroceria era feita de madeira.

Arrol 1912
Arrol 1912, escocês, construído pela fábrica Arrol-Johnston, era equipado com motor de quatro ou seis cilindros, com 23,9 ou 11,9HP.
Hispano Suiza 1912
Hispano Suiza 1912
Hispano Suiza 1912, 3.615cc e 15,9HP.
Renault 1913
Renault 1913
Renault 1913, tipo AX, com dois lugares, motor de cilindros duplos e 1.205cc. Sua velocidade era de 64 km/h.
Abadal 1914
Abadal 1914
Abadal 1914. Veículo fabricado na Espanha e que atualmente se encontra no museu de Caramulo em Portugal. Tinha motor de 4 cilindros 3,6 litros ou 6 cilindros de 4,5 litros.
Chevrolet Royal Mail H2 de 1915
Chevrolet Royal Mail H2 de 1915
Chevrolet Royal Mail H2 de 1915, um quatro cilindros com válvulas na cabeça, o primeiro grande sucesso da Chevrolet.
Rauch & Lang Eletric de 1915
Rauch & Lang Eletric de 1915
Rauch & Lang Eletric de 1915, carro elétrico construído entre 1905 e 1928. Pouquíssimas unidades foram produzidas, principalmente após 1915.
Daniels model C 1919
Daniels model C 1919
Daniels model C 1919, tinha motor de oito cilindros e desenvolvia 45HP. Era vendido na época por $ 3.750,00 dólares.
Benz Sport tipo 6/18 PS, de 1921
Benz Sport tipo 6/18 PS, de 1921
Benz Sport tipo 6/18 PS, de 1921, um quatro cilindros de 1.570cc, que atingia 90 km/h
Chevrolet Superior 1923
Chevrolet Superior 1923
Chevrolet Superior 1923, com motor quatro cilindros de 135 polegadas cúbicas e 22HP. Aproximadamente 500.000 veículos foram construídos neste ano.
Cadillac 1924 V-63
Cadillac 1924 V-63
Cadillac 1924 V-63, tinha motor de 8 cilindros, de 314.5 polegadas cúbicas e 80HP. O V-63 também tinha freios nas quatro rodas.
Chrysler 1924
Chrysler 1924
Chrysler 1924, com freios hidráulicos nas quatro rodas e motor de 6 cilindros de alta compressão (4.7:1).
Chrysler B-70 de 1925
Chrysler B-70 de 1925
Chrysler B-70 de 1925, com motor de 6 cilindros em linha e 68HP, com taxa de compressão de 4,7:1
LaSalle 1927
LaSalle 1927
LaSalle 1927, com motor V-8 de 303 polegadas cúbicas e 75HP, criado por Harley Earl. Era um modelo da GM intemediário entre Cadillac e Buick.
Packard 1929
Packard 1929
Packard 1929, modelo Phaeton com dois pára-brisas, motor de 8 cilindros em linha, 385 polegadas cubicas e 105HP.
Cord 1930
Cord 1930
Cord 1930, com motor de 8 cilindros em linha, 299 polegadas cúbicas e 125HP. Modelo com dois pára-brisas.
Hudson 1932 Special Coupe
Hudson 1932 Special Coupe
Hudson 1932 Special Coupe, com motor de 8 cilindros em linha, 254 polegadas cúbicas e 101HP.
Studebaker President, 1932
Studebaker President, 1932
Studebaker President, 1932, roadster conversível com motor de 8 cilindros em linha, 337 polegadas cúbicas e 122HP.
Willys 1937, Coupe Deluxe
Willys 1937, Coupe Deluxe
Willys 1937, Coupe Deluxe, com motor de 48HP. Era vendido na época por $499-$599 (dólares).
Lincoln Continental 1942
Lincoln Continental 1942
Lincoln Continental 1942, com motor V-12 de 305 polegadas cúbicas e 130HP. Apenas 200 unidades do Club Coupe foram produzidas neste ano, ao preço de $3.000 (dólares).
Mercury 1946
Mercury 1946
Mercury 1946, com motor V-8 de 239.4 polegadas cúbicas e 100HP.
Chrysler Town e Country 1947
Chrysler Town e Country 1947
Chrysler Town e Country 1947, com motor de 8 cilindros e 135HP.
Kaiser Pinconning Special Sedan 1947
Kaiser Pinconning Special Sedan 1947
Kaiser Pinconning Special Sedan 1947, utilizava motor Kaiser-Fazer de 112HP.
Packard Custom Super Clipper 1947
Packard Custom Super Clipper 1947
Packard Custom Super Clipper 1947, fastback com dois tons de cor, utilizava motor de 356 polegadas cúbicas e 165HP.
Chrysler New Yorker 1947
Chrysler New Yorker 1947
Chrysler New Yorker 1947, modelo business coupe de três passageiros, foi produzido de 1946 a 1949.
Cadillac 1949
Cadillac 1949
Cadillac 1949, utilizava motor V-8 de 331 polegadas cúbicas e 160HP.

Oldsmobile Conversível
Oldsmobile Conversível, com motor Rocket V-8 de 135HP.
Packard 1951
Packard 1951
Packard 1951 com motor de oito cilindros em linha, 327 polegadas cúbicas e 155HP.
Plymouth Belvedere Cranbrook 1951
Plymouth Belvedere Cranbrook 1951
Plymouth Belvedere Cranbrook 1951 o primeiro hardtop lançado pela Plymouth, com motor de 6 cilindros, 217 polegadas cúbicas e 97HP.
Nash Metropolitan 1954
Nash Metropolitan 1954
Nash Metropolitan 1954, ragtop, com motor de 4 cilindros.
Mercury Montclair 1955
Mercury Montclair 1955
Mercury Montclair 1955, com motor V-8 de 292 polegadas cúbicas e 188HP, apenas 10.668 foram construídos.
Willys Bermuda 1955
Willys Bermuda 1955
Willys Bermuda 1955, hardtop, com motor de 6 cilindros de 226 polegadas cúbicas. Foram construídos apenas 2.215 unidades.
Ao contrário do avião - que tem a paternidade assegurada no Brasil, Europa e Estados Unidos - ninguém inventou o automóvel. Nem mesmo o Henry Ford, como muita gente estava pensando. Por volta de 1880, quando os bisavós do carro apareceram, os inventores estavam ocupados com coisas muito mais importantes.
Provavelmente com a invenção do alicate, do microfone ou da caneta tinteiro. Mas o carro tinha pressa de ser inventado. A primeira corrida de automóveis da história, a Paris-Bordéus, ia ser disputada em 1895. Se o carro não fosse inventado a tempo, a prova acabava sendo vencida por uma briga. O que, convenhamos, teria péssima repercussão na futura imagem do automóvel.
O jeito foi o carro se arranjar sozinho, incorporando inventos que não foram feitos pensando nele. Como o motor a gás de Lenoir (1860), o carro a vapor do austríaco Siegfried Markus (1874) e o motor de quatro tempos do conde alemão Nikolaus Otto (1876).
Estava o carro nesse compasso, quando em julho de 1886 um certo Carl Benz apareceu nas ruas da tranqüila Mannhein, na Alemanha, com uma novidade absolutamente imprestável para a época. Um triciclo a motor que fazia apenas 13 quilômetros por hora, enquanto um cavalo modelo 80 corria quatro vezes mais.

Monstrinhos Práticos e Seguros

O motor de Benz, com 1.140 cc, 3 HP e 250 kg de peso, impulsionava um triciclo com rodas de bicicleta. Só que não foi esse exatamente o primeiro antepassado dos motores de automóvel que conhecemos hoje. Meses antes, em novembro de 1885, outro alemão já estava nas ruas com um estranho ancestral de carro.
Tratava-se do engenheiro Gottieb Daimler, que trabalhara com o conde Otto e inventara uma bicicleta de madeira motorizada, que chamava de "montaria". Montado nela, o esperto Gottlieb cobrira os 3 mil metros de uma estrada alemã, à velocidade de 6 km por hora. As reações, tanto ao veículo do Benz quanto à bicicleta de Daimler, não foram precisamente as que os inventores esperavam. Enquanto o povo chamava de "monstrinho" a montaria de Daimler (que era "capaz de sacudir até a medula e os ossos ..."), as autoridades de Mannheim proibiam Carl Benz de sair às ruas com seu triciclo. E, para garantir o cumprimento da ordem, chegavam a botar um guarda de prontidão na frente da casa do inventor.
O "carro" de Benz era apenas um motor a explosão que movimentava um triciclo de dois lugares. Quem transformou esse negócio em uma máquina mais ou menos útil foram os franceses René Panhard e Émile Levassor.
Em 1891, eles puseram o motor na frente e criaram a transmissão por correntes, a embreagem e a caixa de mudanças iniciando o esquema mecânico que seria seguido pelos menos nas setes décadas posteriores. Mas antes disso, o automóvel já era artigo de comércio. A oficina de Carl Benz, que lançara um carro de quatro rodas meses depois do triciclo, já produzia para a venda e chegava a publicar o primeiro anúncio onde o carro era apresentado como "prático, seguro e o verdadeiro substituto do cavalo e do cocheiro ..."

A Velocidade e as Leis de Trânsito

O carro propriamente dito, todavia, só iria aparecer mais tarde, quando Vacheron inventou o volante, os Michelin introduziram os pneus, Panhard fabricou a primeira carroceria fechada e Dietrich-Bollée teve a idéia do pára-brisa. Daí para a carta de motorista, o sinal vermelho e fatalmente os guardas de trânsito foi um pulo.
Em 1899, o automóvel trocou as mãos pelos pés, quando Gottlieb Daimler inventou o pedal do acelerador. Era de madeira e, como o sapato ainda não estava na moda, apareceram as expressões "senta a bota" e "pé na tábua". Com a velocidade governada pelo pé, os assustados cidadãos do século XIX não tardaram em descobrir uma verdade assustadora. Que o carro podia rodar tão rápido quanto o trem a vapor. E o que era pior, sem trilhos. Aí começaram as leis. Na Inglaterra, a velocidade máxima permitida era de 6 km por hora. Os ingleses só usavam o carro para visitar o vizinho do lado. No máximo para ir ao pub da esquina.
Não satisfeitas, as autoridades inglesas aprovaram ainda a "Lei da Bandeira Vermelha", que obrigava todo motorista a mandar um ajudante sessenta pés a frente do carro, alertando os pedestres com um pano vermelho. Mas parece que essa legislação não existia para proteger o cidadão a pé. O objetivo verdadeiro era a integridade dos automóveis. Tanto que as leis drásticas caíram depois de1906, quando os americanos inventaram o mais importante componente do automóvel até então: o pára-choque.

Ford Bigode, Segunda Revolução

Por falar em americanos, não se pode esquecer o papel que eles tiveram na modernização do automóvel. Foram os americanos que criaram a linha de montagem, o carro com telefone e o motor de arranque - que dispensou a manivela e tornou o volante acessíveis às mulheres. Nenhum povo compreendeu tão cedo o papel que o carro teria para a humanidade. E a reação que a humanidade teria para o carro. A maior prova disso é que em 1904, a Cadillac já lançava o acessório que seria o mais vendido no Brasil oito décadas depois: o sistema anti-roubo.
A linha de montagem apareceu com Ford. Diz a lenda que o pequeno Henry passeava de carroça com o pai, quando viu um trator a vapor trabalhando no campo. Tinha treze anos e se apaixonou imediatamente pelos veículos que se moviam sozinhos. Anos mais tarde, largou o campo e foi para Detroit dedicar-se às pesquisas. Acabou criando três mitos para a América: Detroit, o "Ford Bigode" e ele próprio, Henry.
O sonho de Henry Ford era de lançar um carro popular. Um modelo resistente, porém simples e fácil de construir, que estivesse ao alcance do bolso do homem comum. A história começou com um fracasso (seu primeiro carro, feito em 1896, terminou o passeio por Detroit com um prosaico defeito de velas), mas o sucesso não demorou. Quando ciou a linha de montagem, em 1908, Ford tinha feito a primeira revolução no automobilismo desde o triciclo de Benz.
Com alinha de produção que criara, Ford reduziu para 1 hora e meia as 14 horas que demorava a montagem de um chassi. Seu processo industrial - que incluía novas técnicas como a fundição dos blocos do cilindro em uma só peça - estabeleceu o padrão para a produção de carros em larga escala. O carro Ford que inaugurou esse tempo foi o Modelo T, o ultrapopular "Ford Bigode", que foi fabricado durante 19 anos, totalizando mais de 15 milhões de unidades.

Um Perigoso Brinquedo que Enlouquecia

Até aparecer o Ford Bigode, o automóvel era uma espécie de hobby, como são a ultraleve e a asa-delta no câmbio de hoje. Só com a produção em séria é que ele passou a operar a tremenda cirurgia com que mudou a face do mundo. Antes disso, porém, ele próprio teve de se transformar. De geringonça incômoda e duvidosa foi virando um meio de transporte seguro e confiável.
Até a virada do século, o carro era considerado uma praga, principalmente por quem andava a pé ou a cavalo. As leis eram severas para os chauffeurs pioneiros até mesmo na França, onde havia um clima mais liberal para o automóvel - como de resto para todas as outras coisas. Tinha uma lei francesa que punia o motorista - e não o cavaleiro ou o cocheiro - se um cavalo se assustasse com um carro e provocasse um acidente. Na Pensilvânia, Estados Unidos, tentaram aprovar uma lei que obrigava o motorista a soltar foquetes de iluminação a cada milha da estrada, para avisar os cavaleiros e cocheiros de sua ameaçadora aproximação.
Além disso, os carros faziam barulho e espalhavam fumaça fedorenta. Ainda não se conhecida o silencioso e o automóvel na verdade não passava de um "poleiro em cima de um monte de ferragens". E esse negócio andava rápido. A descarga era livre e as rodas eram aquelas de carruagem, com 1 metro de diâmetro. O conjunto motor, suspensão e transmissões tinha enormes folgas mecânicas e tudo isso chacoalhava com estrondo, soltando fumaça pelas ruas estreitas e mal calçadas.
Porém o que metia mais medo era a velocidade. Em 1906, o americano Stanley Steammeer fez 195 km por hora com um carro a vapor. Mas o que assombrava mesmo o grande público eram os trinta numa ruela de Londres. No Congresso de Higiene de Blackpool, Inglaterra, um certo Sir James Brown subiu à cátedra e sustentou que o automóvel enlouquecia. Para o médico inglês, as vibrações das grandes velocidades embaralhavam a matéria cerebral. Com as conseqüências que se podem adivinhar.

Com os Pneus, Começa a Era do Conforto

Foi com o pneu que o carro começou a livrar-se do jeitão de carruagem a motor.
Edouard Michelin introduziu a melhoria na corrida Paris-Bordéus, em 1895, mas o pneumático era uma invenção de sete anos antes. Acredite se quiser, mas um escocês que também virou marca, John Dunlop, criou o pneu em 1888 só para diminuir a trepidação da bicicleta do filho - e deixou a coisa de lado.
Em 1899Renault apareceu com o eixo de transmissão de energia do motor para as rodas traseiras. De início, os fabricantes custaram a levar fé na idéia do francês. Achavam a corrente mais segura. Mas a transmissão acabou vingando e os carros se tornaram menos barulhentos.
Como todo hobby, o automóvel era antes um objeto de prazer do que uma utilidade confiável. Rodava mais em corridas, gincanas e ralis do que nas ruas. Foi essa característica que acelerou seu aperfeiçoamento e, até hoje, o carro continua devendo muito às experiências em competições. Em 1901, o diplomata Emil Jellinek encomendou à Daimler um carro cheio de macetes para correr em Pau, na França.
motor ficava na frente (enquanto os carros da época tinham os motores centrais) e era coberto por um capô. As rodas traseiras tinham quase o mesmo diâmetro das dianteiras. Além das exigências técnicas, Jellinek pediu à fábrica que mudasse o nomeDaimler. Ele temia que os franceses, lembrando ainda a guerra franco-prussiana, hostilizassem um carro tão evidentemente alemão. E propôs o nome espanhol de sua filha, Mercedes.
Ironia do destino. Nesses 85 anos, o Mercedes fez tanto sucesso que virou um sinônimos de Alemanha, pelo menos quando o assunto é automóvel. Jellinek não ganhou a corrida de Pau, mas seu carro recebeu todos os prêmios da Exposição de Nice, em1901. O Mercedes foi o primeiro carro do mundo a separar o motor dos passageiros e a ter um capô. E isso fez tanta onda, que todos os outros fabricantes imitaram o modelo. Até quem continuava produzindo carros com motores centrais aderiu. Só que os capôs, instalados na frente dos veículos, não cobriam nada.

A sofisticação vem com os americanos

O início do século vinte marca a entrada dos americanos na luta pelo aperfeiçoamento do automóvel e, com ela, acaba a fase dos pioneiros. Começam a aparecer os resultados do trabalho em equipe. As melhorias já não partem de um gênio criador, mas são associadas ao nome de uma companhia. Em 1901, o Oldsmobile introduz o velocímetro e, em 1908, a Ford desloca o volante doModelo T do centro para a esquerda. A partir de 1911, a Cadillac começa a produzir os modelos mais aperfeiçoados do mundo. Lança o motor de arranque, o espelho retrovisor e os faróis elétricos com luzes alta e baixa. O carro passa a iluminar as estradas, deixando assinalar apenas sua presença com simples lanterna a gás.
Em 1915, a Oldsmobile aposenta o limpador de pára-brisa manual, lançando o modelo acionado a vácuo. O freio pedal é criado em1916 e é logo seguido pelas luzes de freio. Desde 1911, já rodam pela América carros equipados com telefone e, em 1917, é lançado o primeiro modelo com aquecimento interno. Nos anos de guerra na Europa, o carro americano é uma utilidade cada vez mais confortável.
As estradas, antes esvaziadas pela concorrências do trem, ficaram abandonadas durante anos e não estão a altura dos novos e mais velozes veículos que se multiplicam sobre elas. Em 1909, os americanos começam a usar concreto nas velhas trilhas das carruagens. Com todo esse conforto, o carro vai ficando popular nos Estados Unidos. E vai começando a modificar a face das cidades - principalmente de Detroit, que já era a sua capital.
E aí, enquanto estoura a guerra na Europa, outra começa silenciosamente na América. Em 1914, o semáforo faz a sua estréia, em uma esquina de Detroit.












O Surgimento do Automóvel

Assim como a humanidade deixou o aspecto simiesco, o carro foi perdendo sua semelhança com as carruagens. No século XIX, surgem as primeiras carruagens sem cavalos, movidas a vapor e tão barulhentas e lentas que desanimariam qualquer um! Mas, os inventores são "pessoas" que pertencem a uma categoria diferente dos outros simples mortais, são persistentes a ponto de serem taxados de "lunáticos", "doidos" e outros adjetivos menos publicáveis. Graças a essa persistência a partir de 1830, foram aperfeiçoados veículos elétricos alimentados por baterias, mais "rápidos e "silenciosos", mas que tinham o inconveniente de não poder percorrer longas distâncias porque logicamente dependiam de carga das baterias.
Em 1860 Étienne Lenoir, constrói o primeiro motor de combustão interna, ou seja, que queima combustível dentro de um cilindro, aliás o mesmo princípio utilizado nos motores até hoje! Entre 1860 e 1870, diversas experiências isoladas em toda a Europa, deram enorme contribuição para o aparecimento de algo muito semelhante ao automóvel que conhecemos atualmente. Dentre estas experiências citamos a construção de um pequeno carro movido por um motor a 4 tempos, construído por Siegfried Markus, em Viena, em 1874.
Os motores a vapor, que queimavam o combustível fora dos cilindros, abriram caminho para os motores de combustão interna, que queimavam no interior dos cilindros uma mistura de ar e gás de iluminação. O ciclo de 4 tempos foi utilizado com êxito pela primeira vez em 1876, num motor construído pelo engenheiro alemão Conde Nikolaus Otto. Neste motor o combustível era comprimido antes de ser inflamado, o que resultava num considerável aumento de rendimento do motor. Ao surgir a gasolina como combustível, substituindo o gás, o motor passou a ter uma alimentação de carburante independente.
Em 1936, um inventor parisiense já imaginara uma capota conversível rígida
Em 1936, um inventor parisiense já imaginara uma capota conversível rígida
Como vimos, já haviam diversas experiências bem sucedidas para o aprimoramento do automóvel, faltava apenas reunir tudo isso num único veículo. Gottlieb Daimler e Carl Benz, cada um ao seu modo, foram os primeiros a utilizar o novo combustível. Daimler, nasceu na Alemanha, em 1834, trabalhara com "Otto", de quem se separou, em 1872, para abrir sua própria oficina, perto de Stuttgart, onde passou a contar com a colaboração de Wilhelm Maybach, outro técnico também formado nas oficinas do Conde Otto.
Neste mesmo ano surgiu o primeiro motor Daimler-Maybach, comparando com o motor do Conde Otto, que funcionava a 200 R.P.M. (rotações por minuto), o Daimler-Maybach era de alta velocidade e alcançava 900 R.P.M. Este motor posteriormente foi utilizado numacarruagem em que foram retirados os varais.
Na década de 50 a Ford utiliza este mesmo tipo de capota
Na década de 50 a Ford utiliza este mesmo tipo de capota
Carl Benz, compatriota de Daimler e dez anos mais novo que este, sonhava com um veículo autopropulsionado. Em 1855, criou um motor de 4 tempos e instalou na parte de trás de um triciclo. Era mais pesado e mais lento que o de Daimler, mas duas características desse veículo persistem ainda hoje: a válvula curta de haste e prato e o sistema de refrigeração a água (a água não circulava, ficava armazenada num compartimento) que tinha que ser constantemente abastecido para manter se cheio e compensar as perdas por ebulição.
Benz, era um homem de negócios e em 1887, iniciou a venda de um veículo de três rodas, colocando pioneiramente a disposição da sociedade, um automóvel, veículo que iria mais tarde modificar todos os conceitos de locomoção do ser humano. Nesse tempo Daimler, inventou o motor que seria utilizado mesmo depois do inicio do século XX.

Edouard Sarazin

Edouard Sarazin era especialista em "Patentes" e ao tomar conhecimento do motor Daimler, conseguiu registrar a patente do mesmo na França, e levou ao conhecimento dos franceses "Émile Levassor e René Panhard", nas oficinas de Panhard e Levassor, oautomóvel ganhou inovações que deram realmente a forma dos automóveis que hoje conhecemos.
As inovações tecnológicas de Levassor & PanhardMotor montado na frente do automóvel com proteção contra lama e poeira. Substituição da transmissão por correias de embreagem e caixa de mudanças.
Estabeleceu o sistema "motor dianteiro" - tração nas rodas traseiras. Os primeiros a conceber um automóvel como peça "única" e não adaptação de um triciclo ou carruagem. Utilização do radiador tubular (um conjunto de tubos com palhetas de refrigeração) na frente do automóvel.
Chevrolet Corette, o primeiro veículo de fibra em série, produzido a partir de 1953
Chevrolet Corette, o primeiro veículo de fibra em série, produzido a partir de 1953
Quando Levassor morreu em 1897, o automóvel já adquiria sua própria identidade, pois os motores passaram da tradicional montagem em "V", para a disposição em linha. Agora qualquer construtor poderia aumentar a potência do motor, bastando apenas acrescentar mais cilindros ao mesmo.

O Primeiro Automóvel Americano

O primeiro carro como vimos nasceu na Alemanha, foi aperfeiçoado na França, mas já era fabricado nos Estados Unidos. O primeiro carro americano, o Duryea surgiu em 1893! E é nos Estados Unidos que teríamos o segundo grande passo para a popularização e evolução definitiva do automóvel, graças ao pioneirismo de Henry Ford.

Henry Ford

Nasceu nos Estados Unidos em 1863, desde cedo interessou-se por mecânica, em 1896 fabricou seu primeiro automóvel, cinco anos depois bateu o recorde mundial de velocidade com seu modelo 999. Em 1903, funda sua empresa, a Ford Motors Company, já defendendo a idéia de que produzindo grande quantidade de automóveis de baixo preço e pouco luxo, obteria maior lucro. Assim, lançou o modelo "T", rústico e barato, que logo conseguiu um grande número de vendas, alcançando a marca de 16 milhões de unidades vendidas nos 25 anos em que foi produzido, transformando Henry Ford no proprietário de um dos maiores impériosindustriais e econômicos de sua época. O seu conceito inovador, de produção de veículos em série, logo se estendeu para outros segmentos industriais, fazendo surgir as linhas de montagem, e toda uma revolução nos métodos e conceitos de fabricação da época.
Segundo dados biográficos, Ford era uma pessoa extremamente dominadora e contraditória, veja alguns exemplos: Pagava aos seus funcionários os maiores salários da época, ao mesmo tempo lutava contra a sindicalização dos mesmos. Era um pacifista, masmontou a maior fábrica de armamentos do mundo durante a guerra.
Financiou tanto a construção de um moderno Hospital, como a publicação de um jornal especializado em artigos anti-semitas. Com todas as idéias progressistas, levou sua empresa a uma grande crise financeira, pois relutava em substituir o "velho modelo T" já bastante ultrapassado (só em 1927, reaparelhou a fábrica e lançou o modelo "A"). Faleceu em 1947, aos 83 anos de idade.
O modelo
O modelo "T" alcançou 16 milhões de unidades vendidas

O Automóvel no Brasil

Em 1893, na cidade de São Paulo, que na época contava com 200.000 habitantes, em plena Rua Direita, o povo pára para ver, entre assustado e encantado, um carro aberto com rodas de borracha. Era um automóvel a vapor com caldeira, fornalha e chaminé, levando dois passageiros. O dono do desengonçado veículo era Henrique Santos Dumontirmão do "Pai da Aviação" com umDaimler inglês(patente alemã). Também no Rio de Janeiro em 1897 o automóvel já causava furor. José do Patrocínio famoso homem das letras brasileiras, vivia a se gabar de seu maravilhoso automóvel movido a vapor passeando pelas ruas esburacadas do Rio, causando imensa inveja no compatriota Olavo Bilac. Certa feita, José do Patrocínio resolveu ensinar o amigo a dirigir seu carro, eOlavo Bilac conseguiu arremessá-lo de encontro a uma árvore na Estrada Velha da Tijuca. José do Patrocínio ficou muito chateado, mas Bilac, com uma gargalhada comemorava o fato de ter sido protagonista do primeiro acidente automobilístico no país!
Chevrolet Corvar, modelo Monza, década de 60. Foi o primeiro carro de série a utilizar turbo
Chevrolet Corvar, modelo Monza, década de 60.
Foi o primeiro carro de série a utilizar turbo
Em 1900Fernando Guerra Duval, desfilava pelas ruas de Petrópolis com o primeiro carro de motor a explosão do país: umDecauville de 6 cavalos, movido a " benzina". Assim nascia a história do automóvel no Brasil, com muito humor para variar. Mas o certo é que em São Paulo, em 1900, o então prefeito Antônio Prado instituiu leis regulamentando o uso do automóvel na cidade, já instituindo uma taxa para esse veículo, assim como era feito com os tílburis e outros meios de transportes. Henrique Santos Dumont, o pioneiro solicitou ao prefeito, isenção do pagamento da recém instituída taxa alegando o mau estado das ruas.
Houve muito bate boca entre os dois e a Prefeitura cassa a sua licença, e também a cobiçada placa "P-1", que acabou parando no carro de Francisco Matarazzo. Em 1903, tínhamos em São Paulo 6 automóveis circulando pela cidade, e a prefeitura tornou obrigatória a inspeção dos veículos, para fornecer uma placa de identificação, que seria obrigatoriamente afixada na parte traseira do "carro". Veja que nosso prefeito pensava longe, até a velocidade para o veículo já dispunha de regulamentação: ..."Nos lugares estreitos ou onde haja acumulação de pessoas, a velocidade será de um homem a passo.
Em nenhum caso a velocidade poderá ultrapassar a 30 Km por hora" Em 1904, criou-se o exame para motoristas, sendo a primeira carta de habilitação em São Paulo entregue a Menotti Falchi, dono da Fábrica de Chocolates Falchi. Em 1904, São Paulo já tinha 83 veículos.
No início, os automóveis eram privilégio de uma pequena elite, e causava um inconveniente que acabou gerando uma nova profissão: o "chauffer", palavra importada assim como os primeiros motoristas particulares, era um emprego muito bem remunerado e garantia um excelente tratamento aos seus ocupantes, na maioria estrangeiros.
primeira corrida automobilística ocorrida no Brasil, foi em São Paulo, no dia 26 de julho de 1908, no Parque Antártica uma multidão que pagou 2.000 réis pela oportunidade, esperavam ansiosos pelo vencedor do "Circuito de Itapecirica".
Repórteres nacionais e estrangeiros cobriam o evento, que também era o primeiro de toda América do Sul. O grande vencedor foi o paulista Sylvio Penteado, com seu Fiat de 40 cavalos, com uma média de 50 Km por hora, ele cumpriu o trajeto de 70 km em 1 hora 30 min. e 5 segundos. Neste mesmo ano o conde francês Lesdain, realiza a pioneira travessia Rio-São Paulo (Se hoje você reclama da Dutra, imagine...) 700 Km. de estradas tortuosas, que ele venceu em 33 dias num carro Brasier de 16 cavalos.
Antonio Prado Júnior, no mesmo ano organiza uma caravana de "bandeirantes sobre rodas de borracha", com destino a Santos(S.P) pelo perigoso e abandonado Caminho do Mar, a aventura durou 36 horas. Em 1908 foi criado o Automóvel Clube de São Paulo, para estimular o automobilismo na cidade, na mesma época no Rio de Janeiro é criado o Automóvel Club do Brasil.
Chrysler Turbina 1963, foi lançado pela Chrysler com propulsor por turbina a gás, só foram fabricados 50 unidades, mas não vingou
Chrysler Turbina 1963, foi lançado pela Chrysler com propulsor por turbina a gás, só foram fabricados 50 unidades, mas não vingou
Começava uma história de paixão do povo brasileiro pelos automóveis, uma paixão que se iguala ao "time do coração", a "religião", ao "amor". O carro para o brasileiro é muito mais que um meio de transporte, é uma parte da vida de cada um. A paixão pelosautomóveis logo trouxe a vontade de se fabricar os automóveis aqui mesmo, e em 1907 uma empresa que se dedicava a fabricação e reparos em carruagens de tração animal, Luiz Grassi & Irmão, montou e colocou em funcionamento em São Paulo, um Fiat. Coisas de pioneiros... Com US$ 25 mil (equivalente a 111 Contos de Réis) desembarcava no Brasil a Ford Motors, instalando-se primeiramente num armazém alugado na Rua Florêncio de Abreu em São Paulo, com 12 funcionários.
O primeiro projeto era a montagem do famoso modelo T, aqui carinhosamente apelidado de "Ford Bigode", e já no ano seguinte eram montados os primeiros caminhões, obrigando a empresa a procurar um local maior, muda-se então para a Praça da República, num local onde mais tarde funcionaria o Cine República. Em 1922, transfere-se para o Bom Retiro, ficando até 1953, quando instalou-se no Ipiranga. Atualmente sua unidade principal, localiza-se no Bairro do Taboão em São Bernardo do Campo (cidade considerada aDetroit brasileira). Em 1925, chega a General Motors, instalando-se primeiramente num armazém arrendado na Avenida Presidente Wilson, no bairro do Ipiranga São Paulo. Veio com um capital social de 2 Mil Contos de Réis, logo de inicio tinha capacidade para montar 25 carros por dia, com grande sucesso as vendas ao término desse mesmo ano, a empresa contabilizava 5.597 veículos vendidos, obrigando a fábrica a aumentar a produção diária para 40 veículos. Em 1930 a G.M muda para um terreno de 45.000 metros quadrados em São Caetano do Sul - São Paulo, onde permanece até hoje.
Any Car 1970, este veículo foi originalmente chamado de
Any Car 1970, este veículo foi originalmente chamado de "ForChevAmChryJVagen", pois foram utilizados 22 partes de veículos
O presidente Getúlio Vargas, á partir de um documento da Subcomissão de Jipes, Tratores, Caminhões e Automóveis, estabelece que os veículos só poderiam entrar no Brasil totalmente desmontados, e sem componentes que já fossem fabricados por aqui. Este foi o primeiro grande impulso para a "Nacionalização e formação de uma Indústria Automobilística no Brasil". Aí chegamos ao Governo de Juscelino Kubitscheck, com a promessa de realizar "50 anos em 5", delega ao Almirante Lucio Martins Meira (nomeado Ministro da Viação e Obras Públicas) a missão de comandar o "Grupo Executivo da Indústria Automobilística"(GEIA), que estabelece metas e regras para a definitiva "instalação de uma indústria automobilística no Brasil.
Através do GEIA eram oferecidos estímulos fiscais e cambiais às empresas interessadas, que deveriam se comprometer com a nacionalização dos veículos aqui fabricados. Os caminhões deveriam ter 90% de seu peso total, em componentes nacionais, e os automóveis 95%. Em pouco tempo estas metas foram cumpridas e até superadas. Primeiro caminhão Ford dentro do Plano de Nacionalização. Com Collor na presidência, caem as barreiras alfandegárias e o Brasil é literalmente tomado pelos importados, já que nosso ex-presidente achava os nossos carros nacionais verdadeiras "carroças", essa quebra de barreiras, fez com que a indústria brasileira acordasse de um sono letárgico de anos de protecionismo e renova suas linhas, oferecendo lançamentos quase simultâneos de seus produtos mundiais.

Cronologia

1894 - Vacheron lança o automóvel com volante
1895 - Panhard fabrica o primeiro automóvel fechado. Os irmãos André e Edouard Michelin lançam os primeiros pneus para automóveis.
1898 - Daimler constrói o primeiro motor de 4 cilindros em linha.
1899 - Daimler introduz a mudança de velocidade em "H" e o acelerador de pé. Renault na França, é primeiro a utilizar o eixo de transmissão ligado ao eixo traseiro por meio de cardans. Os automóveis de Dietrich-Bolée vem com parabrisas como acessórios extras.
1901 - Daimler lança na Alemanha o Mercedes.
1902 - Spyker lança na Holanda um automóvel com tração nas 4 rodas e motor 6 cilindros em linha. Frederick Lanchester inventa o freio a disco.
1903 - Mors, apresenta um automóvel com amortecedores. Ader na França fabrica o primeiro "V8".
1905 - Surge nos Estados Unidos o primeiro sistema de aquecimento que funcionam com o escapamento do motor.
1906 - A Rolls-Royce lança o Silver Ghost. Nos Estados Unidos surgem os pára-choques.
1908 - A Ford lança o modelo "T". A Delco nos Estados Unidos, fabricam a primeira bobina e o distribuidor.
1912 - A Peugeot fabrica o primeiro motor com árvore de comando de válvulas, duplos no cabeçote.
1915 - Aparecem nos Estados Unidos os "limpadores de pára-brisas.
1916 - Aparecem nos EUA as luzes de freio acionadas pelo pedal.
1917 - O modelo American Premier inova com um velocímetro.
1921 - Surge nos EUA a mudança de luzes automática.
1923 - A Dodge, fabrica a primeira carroceria fechada totalmente em aço. A Fiat, na Itália, monta uma coluna de direção ajustável.

O automóvel no Brasil

Em 1893, na cidade de São Paulo, que na época contava com 200.000 habitantes, em plena Rua Direita, o povo para ver, entre assustado e encantado, um carro aberto com rodas de borracha. Era um automóvel a vapor com caldeira, fornalha e chaminé, levando dois passageiros. Henrique Santos Dumont dirigia no final do século passado em São Paulo um Peuget a gasolia, ele foi trazido alguns anos antes por Alberto santos Dumont. Também no Rio de Janeiro em 1897 o automóvel já causava furor. José do Patrocínio famoso homem das letras brasileiras, vivia a se gabar de seu maravilhoso automóvel movido a vapor passeando pelas ruas esburacadas do Rio, causando imensa inveja no compatriota Olavo Bilac.
Certa feita, José do Patrocínio resolveu ensinar o amigo a dirigir seu carro, e Olavo Bilac conseguiu arremessá-lo de encontro a uma árvore na Estrada Velha da Tijuca. José do Patrocínio ficou muito chateado, mas Bilac com uma gargalhada comemorava o fato de ter sido protagonista do primeiro acidente automobilístico no país! Em 1900Fernando Guerra Duval, desfilava pelas ruas de Petrópolis com o primeiro carro de motor a explosão do país: um Decauville de 6 cavalos, movido a " benzina". Assim nascia a história do automóvel no Brasil, com muito humor para variar. Mas o certo é que em São Paulo, em 1900, o então prefeito Antonio Prado instituiu leis regulamentando o uso do automóvel na cidade, já instituindo uma taxa para esse veículo, assim como era feito com os tílburis e outros meios de transportes. Henrique Santos-Dumont, o pioneiro solicitou ao prefeito, isenção do pagamento da recém instituída taxa alegando o mau estado das ruas. Houve muito bate boca entre os dois e a Prefeitura cassa a sua licença, e também a cobiçada placa "P-1", que acabou parando no carro de Francisco Matarazzo.
Em 1903, tínhamos em São Paulo 6 automóveis circulando pela cidade, e a prefeitura tornou obrigatória a inspeção dos veículos, para fornecer uma placa de identificação, que seria obrigatoriamente afixada na parte traseira do "carro". Veja que nosso prefeito pensava longe, até a velocidade para o veículo já dispunha de regulamentação: "Nos lugares estreitos ou onde haja acumulação de pessoas, a velocidade será de um homem a passo. Em nenhum caso a velocidade poderá ultrapassar a 30 Km por hora"
Em 1904, criou-se o exame para motoristas, sendo a primeira carta de habilitação em São Paulo entregue a Menotti Falchi, dono da Fábrica de Chocolates Falchi. Em 1904, São Paulo já tinha 83 veículos. No início, os automóveis eram privilégio de uma pequena elite, e causava um inconveniente que acabou gerando uma nova profissão: o "chauffer", palavra importada assim como os primeiros motoristas particulares eram um emprego muito bem remunerado e garantia um excelente tratamento aos seus ocupantes, na maioria estrangeiros.
primeira corrida automobilística ocorrida no Brasil foi a São Paulo, no dia 26 de julho de 1908, no Parque Antarctica uma multidão que pagou 2.000 réis pela oportunidade esperavam ansiosos pelo vencedor do "Circuito de Itapecirica". Repórteres nacionais e estrangeiros cobriam o evento, que também era o primeiro de toda América do Sul. O grande vencedor foi o paulista Sylvio Penteado, com seu Fiat de 40 cavalos, com uma média de 50 Km. por hora, ele cumpriu o trajeto de 70 km em 1 hora 30 min.e 5 segundos. Neste mesmo ano o conde francês Lesdain, realiza a pioneira travessia Rio-São Paulo (Se hoje você reclama da Dutra, imagine...) 700 Km. de estradas tortuosas, que ele venceu em 33 dias num carro Brasier de 16 cavalos. Antonio Prado Júnior, no mesmo ano organiza uma caravana de "bandeirantes sobre rodas de borracha", com destino a Santos (S. P) pelo perigoso e abandonado Caminho do Mar, a aventura durou 36 horas. Em 1908 foi criado o automóvel Clube de São Paulo, para estimular o automobilismo na cidade, na mesma época no Rio de Janeiro é criado o automóvel Club do Brasil. Começava uma história de paixão do povo brasileiro pelos automóveis, uma paixão que se iguala ao "time do coração", a "religião", ao "amor".
paixão pelos automóveis logo trouxe a vontade de se fabricar os automóveis aqui mesmo, e em 1907 uma empresa que se dedicava a fabricação e reparos em carruagens de tração animal, Luiz Grassi & Irmão, montou e colocou em funcionamento em São Paulo, um Fiat.

Coisas de pioneiros...

Com US$ 25 mil (equivalente a 111 Contos de Réis) desembarcava no Brasil a Ford Motors, instalando-se primeiramente num armazém alugado na Rua Florêncio de Abreu em São Paulo, com 12 funcionários. O primeiro projeto era a montagem do famosomodelo T, aqui carinhosamente apelidado de "Ford Bigode", e já no ano seguinte eram montados os primeiros caminhões, obrigando a empresa a procurar um local maior, muda-se então para a Praça da República, num local onde mais tarde funcionaria o Cine República. Em 1922, transfere-se para o Bom Retiro, ficando até 1953, quando se instalou no Ipiranga. Atualmente sua unidade principal, localiza-se no Bairro do Taboão em São Bernardo do Campo (cidade considerada a Detroit brasileira).
Em 1925, chega a General Motors, instalando-se primeiramente num armazém arrendado na Avenida Presidente Wilson, no bairro do Ipiranga São Paulo. Veio com um capital social de 2 Mil Contos de Réis, logo de inicio tinha capacidade para montar 25 carros por dia, com grande sucesso as vendas ao término desse mesmo ano, a empresa contabilizava 5.597 veículos vendidos, obrigando a fábrica a aumentar a produção diária para 40 veículos. Em 1930 a G.M muda para um terreno de 45.000 metros quadrados em São Caetano do Sul - São Paulo, onde permanece até hoje.
O presidente Getúlio Vargas, á partir de um documento da Subcomissão de Jipes, Tratores, Caminhões e Automóveis, estabelece que os veículos só poderiam entrar no Brasil totalmente desmontados, e sem componentes que já fossem fabricados por aqui. Este foi o primeiro grande impulso para a "Nacionalização e formação de uma Indústria Automobilística no Brasil".
Aí chegamos ao Governo de Juscelino Kubitscheck, com a promessa de realizar "50 anos em 5", delega ao Almirante Lucio Martins Meira (nomeado Ministro da Viação e Obras Públicas) a missão de comandar o "Grupo Executivo da Indústria Automobilística"(GEIA), que estabelece metas e regras para a definitiva "instalação de uma indústria automobilística no Brasil. Através do GEIA eram oferecidos estímulos fiscais e cambiais às empresas interessadas, que deveriam se comprometer com a nacionalização dos veículos aqui fabricados. Os caminhões deveriam ter 90% de seu peso total, em componentes nacionais, e os automóveis 95%. Em pouco tempo estas metas foram cumpridas e até superadas.
Com Collor na presidência, caem as barreiras alfandegárias e o Brasil é literalmente tomado pelos importados, já que nosso ex-presidente achava os nossos carros nacionais verdadeiras "carroças", essa quebra de barreiras, fez com que a indústria brasileira acordasse de um sono letárgico de anos de protecionismo e renova suas linhas, oferecendo lançamentos quase simultâneos de seus produtos mundiais.

FARDIER DE CUGNOT (1771)

Precursor do automóvel, este modelo, foi criado pelo militar francês Nicolas Joseph Cugnot em 1771. Era movido a vapor, com dois cilindros verticais, 62.000 cm3 de cilindrada e chegava aos 4 km/h. Consta que sofreu o primeiro acidente da história do automóvel, ao se chocar com o muro do quartel onde Cugnot servia como engenheiro militar. Este modelo (original) pertence ao Museé National des Techniques, de Paris.

THREVITHICK'S LONDON STEAM CARRIAGE (1803)

Se você houvir alguém afirmando que os primeiros carros eram carruagens com motor, acredite. Pelo menos esta é a conclusão que pode-se chegar observando este veículo fabricado em 1803. Seu motor era a vapor, com um cilindro horizontal. Tinha 11.700 cm3, 3 cv. de potência e chegava aos 13 km/h. Foi desenvolvido por Richard Threvithick Junior, da Inglaterra e hoje pertence ao colecionador inglês Tom Brogden.

DE DION-BOUTON-TRÉPARDOUX "DOG CART" (1885)

Construído em 1885 pelo trio francês Albert de DionCharles-Armand Trépardoux e Gerge Bouton. Tinha tração nas rodas dianteiras e direcionais nas traseiras. Utilizava dois motores a vapor, gerando 5 cv. e 760 cm3 de cilindrada, atingindo os 40 km/h. Hoje, pertence ao Museé Automobile de La Sarthe, na França.

BENZ (1886)

O triciclo de Carl Benz é considerado o primeiro automóvel da história. Criado em 1886 na Alemanha, tinha um motor monocilíndrico horizontal de 580 cm3 e 0,7 cv. de potência. Considerado uma verdadeira obra-prima da engenharia no final do século passado, este modelo original pertence ao Museu da Mercedez-Benz, na Alemanha.

VICTORIA DAIMLER (1886)

Na mesma época em que Benz criava seu triciclo, Gottlieb Daimler também trabalhava na criação de um automóvel, o Victoria, estando a pouco mais de 100 km de distância de distância de Benz. Tinha motor de um cilindro vertical, com 462 cm3 e 1,1 cv. Nunca se conheceram, e a Daimler só se juntou à Benz depois de suas mortes (depois da junção a empresa se chamou Mercedez-Benz). O modelo, também original, pertence ao Museu da Mercedez, na Alemanha.

SLM (1886)

Este triciclo a vapor, foi obra do inglês Charles Brown em 1886, que trabalhava na SLM da Suiça. Um fato curioso deste triciclo é que o motor era movido a vapor por petróleo. Tinha dois cilindros verticais, 2 cv. de potência e chegava aos 10 km/h. É propriedade do Technorama Winterfhur da Suiça.

OMNIBUS SCOTTE (1892)

O ônibus a vapor, da empresa Scotte francesa, lançado em 1892, com tamanho sucesso dois anos mais tarde participou da prova Paris-Rouen. Com motor dianteiro e tração traseira, utilizava dois cilindros verticais, 1.986 cm3 e chegava aos 12 km/h. Pertence ao Museé Henri Malarte, da França.

PEUGEOT T4 "BET DE TUNIS" (1892)

Entusiasmado com as invenções de Daimler e BenzArmand Peugeot resolveu também construir seu veículo. O Type 4, usava motor fornecido pela Daimler, V2 de 1.018 cm3, que levava o carrinho aos 25 km/h. Este acordo terminou três anos depois quando Daimler ePeugeot se desentenderam. Pertence aos Museé Peugeot, na França.

ELEKTROMOBIL LONNER-PORSCHE (1900)

Em 1900, a genialidade de Ferdinand Posche começa a se manifestar. O Encarroçador Ludwig Lohner fornecia viaturas oficiais para a corte austríaca, quando conheceum um jovem de 24 anos, chamado Ferdinand Posche, e resolveram criar um carro elétrico. Usava dois motores elétricos, incorporados às rodas dianteiras, de 2,5 cv. e autonomia de 3 horas. A velocidade oscilava entre 17 e 50 km/h. Trinta anos depois Porsche criaria o Volkswagem. Este raríssimo modelo pertence ao Technises Museum, da Áustria.

ROLLS-ROYCE (1904)

Foram produzidas 16 unidades entre 1904 e 1907. Criado por dois aristocratas ingleses, Frederick Henry Royce e Charles Stewart Rolls. Tinha motor de dois cilindros, 1.809 cm3, 10 cv. e chegava aos 60 km/h. Royce desenvolvia os carros e Rolls, bem relacionado, tratava de vendê-los. Faz parte da coleção da Rolls- Royce.

HELICA (1919)

Movido por uma hélice, foi criado pelo francês Marcel Leyat. Misto de avião e automóvel, teve 30 unidades construídas entre 1919 e1925. Utilizava muitos conceitos aeronáuticos, usava motor de dois cilindros horizontais, com 8 cv. de potência e chegava aos espantosos 100 km/h de velocidade, mas durante uma prova no circuito de Monthléry chegou a mais espantosos ainda a 170 km/h. Pertence a uma coleção particular na França.

Curiosidades

A palavra "automóvel" surgiu na França em 1875 e vem do grego autos, que significa "por si só" e do latim mobilis, que quer dizer "móvel".
Em 1876, o engenheiro alemão Nikolaus August Otto desenvolveu o motor a explosão para álcool, gasolina ou gás, que substituiu os motores à vapor usados até então nas primeiras experiências na construção de automóveis.
Em 1893, em São Paulo, pela primeira vez um carro circulava no Brasil. Guiando o veículo estava Henrique Santos Dumont (irmão de Alberto Santos Dumont, inventor do avião).
O primeiro acidente de trânsito que se tem notícia no Brasil foi em 1897, quando o poeta Olavo Bilac colidiu com uma árvore. Se ele se feriu ninguém sabe, mas com certeza sobreviveu uma vez que veio a falecer apenas em 1918.
Alguns fabricantes de veículos e vários borracheiros de todo o país recomendam a troca de pneus de um carro a cada 30.000 Km. Acha pouco? Saiba então que os primeiros pneus de borracha a serem usados em carros em 1895, adaptação dos pneus antes usados em bicicletas pelo francês Edouard Michelin, duravam em média 150 Km.
Utilizando um motor de origem francesa, o inventor paulistano Paulo Bonadei foi o primeiro a montar um carro no Brasil. O veículo ficou pronto em 1905, quando Paulo percebeu um "pequeno" detalhe: o protótipo era maior que a porta da garagem, que teve de ser alargada.
Fusca, o Volkswagen ("carro do povo", em alemão) é o modelo de carro mais popular de todos os tempos. Foi projetado por Ferdinand Porsche e imediatamente aprovado por Adolf Hitler, que utilizou variações do modelo para fins militares, inclusive durante a II Guerra Mundial. Sua fabricação no Brasil começou em 1959 e parou em 1986. A pedido do então presidente Itamar Franco, o Fusca voltou a ser produzido em 1994. Além de sair da fábrica com um preço muito semelhante ao Gol 1000 ou qualquer outro "popular" da época, sua montagem era bem mais complicada, uma vez que tinha praticamente o dobro de peças comparado a um carro moderno. Parou novamente de ser fabricado em 1996.
Com o avanço da velocidade dos carros fabricados à partir da década de 50 ao número de acidentes aumentou muito em relação a períodos anteriores. Em 1958 foi fabricado o primeiro automóvel americano com cintos de segurança: o Chevrolet Corvette. No Brasil este item importantíssimo foi considerado obrigatório a partir de 1969.
O primeiro automóvel a circular fora do planeta Terra foi um jipe de seis rodas e motor elétrico usado pela Missão Apolo 15 em 1971, "aqui pertinho" na Lua.
Os primeiros fabricantes a colocarem air bags em seus carros foram a GM e a BMW, a partir de 1974. Mas desde os anos 50 já existiam carros com air bags colocados sob encomenda fora das linhas de montagem.
O primeiro carro nacional a ser vendido com injeção eletrônica no Brasil foi o Gol GTI, fabricado a partir de 1989. No entanto o primeiro carro com este recurso a ser fabricado no Brasil foi o Fox (Voyage para exportação) em 1988. Hoje todos os modelos brasileiros saem de fabrica com esta característica.
O Sedã Pronto Spyder, mostrado no Salão do Automóvel de Detroit em 1997, nunca enfrentará problemas com a ferrugem pois suacarroceria é feita de polietileno, o mesmo material usado em garrafas de refrigerante

1º Salão do Automóvel aconteceu em 1960
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